BaccoSistemas

Início · Fiscal

Apurado em 31/08/2026 · Fonte vigente: NT 2025.002-RTC v1.51

Reforma tributária na vinícola: o que muda na nota, e quando.

A obrigatoriedade do grupo IBS/CBS na NF-e em produção foi adiada sem data. O preenchimento, não. Essa distinção é a coisa mais importante desta página — e é o que separa quem leu a Nota Técnica de quem leu a manchete.

01 · O que está valendo em 31 de agosto de 2026

IBS e CBS têm valor jurídico desde 1º de janeiro de 2026, pela LC 214/2025. As alíquotas do ano de transição são fixas e pequenas:

  • CBS 0,9% — art. 346
  • IBS 0,1%, integralmente estadual — art. 343, com a parcela municipal em zero

A nota destaca os dois, mas o contribuinte não recolhe em 2026 — desde que cumpra as obrigações acessórias. A dispensa do art. 348 é condicionada, não automática: o §1º amarra a dispensa ao cumprimento da obrigação. Quem não destacar, perde a dispensa.

02 · A obrigatoriedade em produção caiu — e quase ninguém avisou

A NT 2025.002-RTC v1.51, de 04/08/2026, não mudou leiaute. Mudou o cronograma, e isso passou batido:

  • A validação UB12-10 (rejeição 1115), que tornaria o grupo IBS/CBS obrigatório em produção, virou "implementação futura". A linha que dizia 03/08/2026 foi tachada na própria NT.
  • Homologação continua exigindo desde 01/07/2026 para quem é CRT 3.
  • Não existe "v1.60". A versão que circulou com esse número em resumos de terceiros nunca foi publicada. A vigente é a v1.51.

Ou seja: hoje a SEFAZ não rejeita sua nota por falta do grupo. A lei continua exigindo o preenchimento. As duas coisas são verdade ao mesmo tempo, e é por isso que "está adiado" é uma leitura perigosa.

03 · Simples Nacional e MEI: sem data

Para CRT 1, 2 e 4 a definição ficou para uma Nota Técnica futura. A v1.51 apagou a data de 04/01/2027 que a v1.40 tinha colocado, e nenhuma outra entrou no lugar. Não há data no autorizador.

Se o seu fornecedor de software já te deu uma data para o Simples, pergunte de onde ela saiu.

04 · Imposto Seletivo em vinho: ainda não está definido

As NCM 2203 a 2208 — onde o vinho mora — são citadas nominalmente na NT. Duas consequências já certas:

  • A validação UB07-10 vai exigir alíquota específica de IS para essas NCM. Ainda marcada como "implementação futura".
  • 2203–2208 estão excluídas da alíquota zero de CBS em Zona Franca de Manaus e Áreas de Livre Comércio.

O que ninguém sabe ainda. O Anexo I, que lista as NCM sujeitas ao Imposto Seletivo, é descrito na própria NT como "tabela a ser publicada". Se o vinho paga IS, e quanto, não está definido. Qualquer fornecedor que hoje afirme um percentual está chutando — e chute em alíquota só aparece na apuração.

05 · Quem compra uva de terceiros tem crédito presumido

O código cCredPres = 1 — "aquisição de produtor rural não contribuinte" — descreve exatamente a compra de uva de produtor pessoa física. É o caso mais comum da vinícola brasileira que não produz toda a própria fruta, e passa a ter tratamento próprio na nota, nos grupos UB120, UB123 e UB127.

Vale conferir com o seu contador se a sua estrutura de compra de fruta se enquadra. É crédito, não custo.

06 · O que já tem data marcada

Enquanto o IBS/CBS não tem prazo em produção, outras mudanças têm — e essas chegam primeiro:

DataO que entra
05/10/2026 NF-e de saída não pode mais referenciar NFC-e (rejeição 679), salvo complementar e devolução. Quem fatura no balcão e depois emite NF-e referenciando o cupom precisa revisar o fluxo.
05/10/2026 PAA em produção: produtor rural e MEI passam a emitir NF-e sem certificado próprio, em séries 970–989. Muda o que você vai receber como nota de entrada de fruta.
03/11/2026 Validações LCC-RFB em todas as autorizadoras: CNPJ de destinatário ou local de entrega inexistente ou com situação diferente de Ativa na Receita passa a rejeitar (181–186). E o CRT declarado na nota é confrontado com o cadastro real da RFB (rejeição 180).

A de 03/11 é a que costuma doer: ela transforma cadastro sujo de cliente em nota rejeitada sua. Vale rodar uma higiene de CNPJ dos destinatários frequentes antes de novembro.

07 · O que já está no Bacco ERP

Só o que está implantado e rodando. Sem roadmap:

  • Grupo IBS/CBS implementado, destacando em NF-e e NFC-e, com gate desligado por padrão. Nada entra na sua nota até o seu contador ligar.
  • Alíquotas em tabela por vigência, não no código. Quando a alíquota de transição mudar, muda cadastro — não versão do sistema.
  • CST 000 e cClassTrib 000001 para vinho, com parecer de contador.
  • DIFAL de saída e de aquisição com as 27 UFs em tabela, regra por UF ativada uma a uma pelo contador.
  • Primeira NF-e real com DIFAL autorizada em 27/08/2026 — operação SC → RS, com ICMSUFDest e FCP destacados corretamente.

Tela real do Bacco ERP, ambiente de demonstração. A NCM 2204 é a do vinho. Note o aviso do próprio sistema: ativar faz a empresa passar a destacar DIFAL — e ele manda confirmar com o contador antes.

O desenho é o mesmo em tudo: alíquota, CST e regra de UF são cadastro. O sistema não inventa valor fiscal que ninguém configurou — ele recusa a operação e diz qual cadastro falta.

De onde saiu cada afirmação

  • NT 2025.002-RTC v1.51 (04/08/2026) — NF-e/NFC-e, Reforma Tributária. Portal Nacional da NF-e
  • NT 2026.007 v1.00 — NF-e sem IE e validações LCC-RFB
  • NT 2026.002 v1.10 — DANFE Simplificado Tipo 2
  • NT 2026.001 v1.02b — Provedor de Assinatura e Autorização (PAA)
  • LC 214/2025, arts. 343, 346 e 348

Esta página é revisada a cada Nota Técnica publicada. Datas e números conferidos em 31/08/2026. Nada aqui substitui o parecer do seu contador — inclusive porque parte do que está acima ainda não foi definido pela Receita.

Para ler antes de decidir.

Quer ver como isso cai na sua operação?

Vinte minutos numa chamada, com o seu contador junto se quiser. A gente mostra a tela de configuração fiscal e o que ela já cobre.