LoRa, cabo ou Wi-Fi: como escolher a rede do vinhedo e da cantina
Vinhedo e cantina têm exigências opostas. A escolha errada aparece na primeira chuva, ou no dia em que a bomba liga junto com a leitura.
Todo projeto de monitoramento esbarra na mesma pergunta prática: como o dado sai de onde é medido e chega em quem decide. E a resposta certa para o vinhedo é a resposta errada para a cantina.
No vinhedo, rádio de longo alcance
Um vinhedo tem hectares, moirões, tratores e roçadeiras. Puxar cabo até cada ponto de medição é caro de instalar e frágil de manter — cabo em área de máquina é cabo que vai ser cortado.
Wi-Fi também não serve: foi projetado para alcance curto e consumo alto. Uma estação alimentada por painel solar e bateria não sobrevive a um rádio que precisa manter conexão constante.
LoRa resolve porque foi feito exatamente para isso: pacotes pequenos, transmitidos raramente, com alcance de quilômetros e consumo baixíssimo. A estação acorda, lê, transmite alguns bytes e volta a dormir. É o que permite meses de autonomia.
Três coisas determinam o alcance real, e nenhuma delas é a potência do transmissor:
- A altura da antena do concentrador. É o fator dominante. Um ponto de recepção alto na sede cobre o que um ponto baixo não cobre, com o mesmo equipamento.
- A topografia. Rádio não atravessa morro. Propriedade em vale ou encosta dividida pode exigir um segundo concentrador — e isso se descobre no estudo de rádio, antes de fixar qualquer coisa, não depois.
- O dossel molhado. Folhagem encharcada depois da chuva atenua bastante o sinal. Por isso a estação vai no moirão, acima do dossel: sol livre para o painel, antena desobstruída, e fora do alcance da roçadeira.
Na cantina, cabo — sem discussão
Cantina é o oposto. Distâncias curtas, muito metal, muito concreto, umidade permanente e bombas ligando e desligando o dia inteiro. É um ambiente eletricamente ruidoso e fisicamente hostil ao rádio.
E o requisito é outro: na cantina não se trata só de ler, mas de controlar. Quando o sistema aciona a camisa de refrigeração de um tanque, a comunicação precisa ser determinística. Um pacote perdido numa leitura de umidade de solo custa um ponto no gráfico. Um pacote perdido num comando de refrigeração custa a fermentação.
Por isso o Bacco Cantina usa RS-485 cabeada, padrão industrial: imune a umidade, a ruído elétrico de bomba e a parede de concreto. Numa cantina, rádio é o lugar errado para colocar o controle da safra.
A regra que resume
Longe, com pouca energia e só leitura: rádio de longo alcance. Perto, com energia disponível e com controle atuando: cabo industrial.
Quem oferece a mesma tecnologia para os dois ambientes provavelmente só tem uma.